O Brasil segue mostrando sua atratividade para investidores internacionais, com o fluxo de investimento estrangeiro atingindo US$ 9,3 bilhões em fevereiro de 2025. Esse valor, que representa um aumento significativo em relação aos US$ 5,3 bilhões registrados no mesmo mês de 2024, destaca-se como um dos mais altos da série histórica iniciada pelo Banco Central em 1995. Embora a cifra seja positiva e sinalize um aumento da confiança global na economia brasileira, a situação do comércio exterior e o déficit em transações correntes continuam sendo desafios a serem enfrentados pelas autoridades econômicas do país.
O impacto do aumento do investimento estrangeiro no Brasil reflete-se em várias áreas. De acordo com o boletim do Banco Central, o crescimento foi impulsionado pela entrada de recursos tanto no capital das empresas brasileiras quanto nas operações intercompanhias. O valor de US$ 5,6 bilhões foi direcionado à participação no capital das empresas, enquanto US$ 3,7 bilhões foram investidos em transações intercompanhias. Esse fluxo positivo foi responsável por manter o país atrativo para investidores estrangeiros, ao mesmo tempo que revela a crescente confiança na estabilidade econômica brasileira.
A análise dos investimentos em carteira também trouxe um panorama positivo para o mês de fevereiro. Após o saldo negativo de US$ 4,8 bilhões registrado em janeiro, houve uma reversão dessa tendência, com a entrada líquida de US$ 3,1 bilhões no mês de fevereiro. O mercado acionário e os fundos de investimento domésticos foram responsáveis pela captação de US$ 1 bilhão, enquanto a emissão de títulos soberanos no mercado externo contribuiu com US$ 2,5 bilhões. Esses números evidenciam o crescente apetite por ativos brasileiros, especialmente no mercado financeiro.
Apesar desse desempenho positivo nos investimentos, o Brasil enfrenta desafios em sua balança comercial, com um déficit de US$ 979 milhões. Esse déficit foi impulsionado por um aumento nas importações, incluindo a compra de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 2,7 bilhões. Esse resultado contribuiu diretamente para o aumento do déficit em transações correntes, que atingiu US$ 8,8 bilhões no mês de fevereiro, e para um acumulado de US$ 70,2 bilhões nos últimos 12 meses, o equivalente a 3,28% do PIB do país.
Esse desequilíbrio nas transações correntes é uma preocupação constante para a economia brasileira, pois reflete a situação em que o país gasta mais com o exterior do que recebe. Esse fenômeno é comum em economias que dependem de importações e pagamentos de serviços, mas o Brasil precisa equilibrar esse fluxo negativo com investimentos estrangeiros e empréstimos. Portanto, o ingresso de US$ 9,3 bilhões em investimentos diretos é um alívio importante, pois contribui para o financiamento do déficit e ajuda a manter a economia brasileira equilibrada.
O déficit nas transações correntes também traz à tona questões sobre a competitividade do comércio exterior do Brasil. A balança comercial, que normalmente é um reflexo direto da capacidade de exportação de um país, pode ser impactada por uma série de fatores, como os preços das commodities, a demanda externa e as políticas internas. Embora o Brasil continue sendo uma potência no fornecimento de produtos como soja, carne e petróleo, os custos com importações estão pressionando a balança negativa, o que coloca mais atenção no trabalho das autoridades econômicas para fortalecer o comércio exterior e reduzir a dependência de importações.
Apesar desses desafios, o governo brasileiro tem se mostrado otimista com as perspectivas para a economia e acredita que o crescimento do investimento estrangeiro será suficiente para compensar os déficits nas transações correntes. As recentes propostas de reformas, incluindo a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a retenção de 10% dos dividendos enviados ao exterior, visam atrair mais investimentos sem afetar negativamente o fluxo financeiro no Brasil. A reação positiva da Bolsa de Valores, que recebeu as propostas de forma otimista, é um indicativo de que o mercado tem confiança nas medidas do governo.
O fortalecimento do investimento estrangeiro no Brasil, com a cifra de US$ 9,3 bilhões registrada em fevereiro, reforça a resiliência da economia brasileira frente aos desafios globais e domésticos. Mesmo com o aumento do déficit em transações correntes, o país segue sendo um destino atrativo para investidores internacionais. O futuro da economia brasileira dependerá, em grande parte, da capacidade do governo de equilibrar esses fluxos financeiros e de implementar políticas eficazes para reduzir o déficit nas contas externas, enquanto continua a fortalecer sua posição como um mercado promissor para os investidores globais.
Autor: Oleg Volkov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital