Duas empresas do mesmo setor, com faturamento semelhante e desempenho operacional comparável ao longo dos últimos anos, contrataram financiamentos praticamente idênticos junto a instituições diferentes. Uma delas obteve taxa de juros significativamente mais baixa do que a outra, diferença que, ao longo do prazo do contrato, representou economia expressiva em termos absolutos e recorrentes.
A explicação para essa disparidade não estava na negociação em si, mas em um fator prévio a qualquer conversa com o banco: o rating de crédito de cada empresa, calculado muito antes de qualquer reunião de negociação começar. Conforme menciona Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, uma empresa pode ter um faturamento consolidado impressionante e ainda assim carregar um histórico de crédito irregular que compromete negociações futuras, já que o rating não mede apenas o tamanho da operação, mas a consistência do comportamento financeiro ao longo do tempo.
O que é o rating de crédito corporativo?
O rating de crédito corporativo é uma nota atribuída por agências especializadas, ou calculada internamente por instituições financeiras, que resume a percepção de risco de inadimplência de uma empresa perante seus credores e parceiros comerciais. Essa nota, expressa geralmente em uma escala alfabética ou alfanumérica padronizada, sintetiza uma análise ampla que considera indicadores financeiros, histórico de pagamentos, estrutura de capital e perspectivas do setor em que a empresa atua, entre outros fatores relevantes para essa avaliação.
Agências de rating reconhecidas avaliam empresas de capital aberto ou com dívidas relevantes no mercado, enquanto instituições financeiras costumam calcular ratings internos próprios para clientes de menor porte, aplicando metodologias próprias que consideram fatores semelhantes, ainda que com menor formalidade e visibilidade externa do que os ratings públicos divulgados por agências especializadas. Independentemente da fonte, o princípio subjacente permanece o mesmo: quanto menor o risco percebido de inadimplência, mais favoráveis tendem a ser as condições de crédito oferecidas à empresa avaliada.
Sendo assim, Valdoir Slapak informa que empresas de menor porte, sem acesso a ratings públicos formais e amplamente divulgados, ainda assim são avaliadas internamente por cada instituição financeira com a qual se relacionam, o que significa que sua reputação de crédito, mesmo invisível externamente, influencia diretamente cada nova negociação de crédito realizada.

Os fatores que mais pesam na avaliação
Entre os fatores que mais pesam na avaliação de rating estão o nível de endividamento em relação à geração de caixa operacional, a consistência histórica de resultados financeiros ao longo de diferentes ciclos econômicos, a qualidade da governança corporativa e a transparência na divulgação de informações financeiras. Empresas que mantêm histórico consistente de cumprimento de obrigações, mesmo em períodos de dificuldade setorial, tendem a construir reputação de crédito mais sólida do que empresas com histórico irregular, ainda que ambas apresentem indicadores financeiros momentaneamente semelhantes. Essa assimetria reflete o fato de que agências e instituições financeiras avaliam não apenas o momento presente da empresa, mas também sua trajetória histórica e comportamento diante de adversidades passadas ao longo dos anos, elemento que dificilmente se corrige rapidamente, mesmo diante de uma melhora recente nos números apresentados.
O impacto que vai além do custo bancário
Como pontua Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, um rating de crédito favorável não influencia apenas o custo de novos financiamentos contratados, mas também condições contratuais mais amplas e diversas, como prazos de pagamento oferecidos por fornecedores, exigência de garantias adicionais em negociações comerciais e até mesmo a disposição de investidores em participar de rodadas futuras de capitalização da empresa. O impacto de um bom rating, portanto, extrapola significativamente a esfera puramente bancária.
Empresas que desconhecem seu próprio perfil de risco de crédito perante o mercado, na avaliação de investidores e credores, costumam negociar condições financeiras menos favoráveis simplesmente por falta de argumentos objetivos para sustentar uma posição de menor risco diante de suas contrapartes comerciais. Conhecer os fatores que compõem essa avaliação com detalhe permite que a empresa direcione esforços de melhoria de forma mais eficiente e direcionada, priorizando exatamente os aspectos que mais pesam na formação da nota atribuída pelas agências ou instituições financeiras.
Construindo reputação de crédito ao longo do tempo
Melhorar o rating de crédito ao longo do tempo exige disciplina financeira sustentada e consistente, e não apenas ações pontuais isoladas às vésperas de uma negociação de crédito específica. Conforme conclui Valdoir Slapak, empresas que tratam a construção de reputação de crédito como processo contínuo e permanente de gestão, e não como exercício ocasional, tendem a obter condições financeiras progressivamente mais vantajosas ao longo de sucessivos ciclos de captação de recursos junto ao mercado.