Especialista defende que governança, avaliação de empresas e planejamento tributário caminham juntos
Empresas brasileiras costumam tratar governança, fusões e aquisições e reforma tributária como assuntos separados, cada um com sua própria equipe e seu próprio momento. Na avaliação de Carlos Eduardo Rosalba Padilha, da Êxito Assessoria, Consultoria e Perícia Contábil Ltda., esses três temas estão mais conectados do que parece: todos dependem, no fim das contas, de organização e método.
Profissionalizar a gestão é o primeiro passo
O primeiro desses pontos é a forma como a empresa toma decisões no dia a dia. Negócios em crescimento acelerado, principalmente os de origem familiar, costumam sentir na pele a falta de um processo mais estruturado, e é aí que entra o conselho consultivo: uma instância que reúne profissionais com bagagem em finanças, direito, tecnologia e estratégia. Essa instância ajuda a mapear riscos e possibilidades que nem sempre aparecem no radar do dia a dia, sem tirar dos sócios a palavra final. Com o tempo, esse tipo de apoio também ajuda a organizar temas mais sensíveis, como sucessão familiar e entrada de novos sócios, que exigem mais do que intuição para serem bem conduzidos.
Negociações complexas pedem números confiáveis
O segundo ponto aparece quando a empresa decide negociar: seja para vender uma fatia do negócio, atrair um investidor ou comprar um concorrente. Nesses casos, a Êxito Assessoria trabalha com valuation, metodologia que calcula o valor real do negócio a partir de caixa gerado, patrimônio, dívidas e múltiplos praticados no mercado. Segundo a consultoria, negociações bem-sucedidas dependem de um trabalho cuidadoso de avaliação, planejamento e diligência, que vai da primeira análise até a integração das equipes depois do fechamento do negócio.
Regras tributárias novas, desafio de adaptação
O terceiro ponto é o mais recente: a reforma tributária. Carlos Eduardo Rosalba Padilha resume o tamanho da mudança em uma frase: “A reforma não é apenas uma troca de impostos. Ela muda a forma como as empresas lidam com o sistema tributário no dia a dia.” Na prática, isso significa reorganizar rotinas fiscais, revisar contratos com fornecedores e repensar a formação de preços, tudo isso enquanto o sistema antigo e o novo convivem por um tempo.
Contabilidade vira ponto de encontro entre os três temas
Para Carlos Padilha, é a contabilidade que amarra esses três fios: sem dados confiáveis, nem o conselho consultivo tem o que discutir, nem o valuation reflete a realidade da empresa, nem a transição tributária é feita com segurança. Por isso, segundo ele, negócios de qualquer porte que já têm essa base organizada partem na frente, independentemente de estarem lidando com sucessão, com uma negociação de M&A ou com as novas regras fiscais que estão por vir. Isso vale tanto para grandes grupos quanto para negócios ainda em fase de estruturação, desde que exista disposição para colocar ordem na casa antes de crescer.