As duas empresas de inteligência artificial já apresentaram pedidos confidenciais de IPO à SEC e podem somar, junto da SpaceX, US$ 3,6 trilhões em valor de mercado
O movimento de abertura de capital das maiores empresas de inteligência artificial do mundo ganhou um novo capítulo nas últimas semanas. Depois da estreia da SpaceX na Nasdaq, em 12 de junho, sob o ticker SPCX, a atenção do mercado se volta agora para Anthropic e OpenAI, que avançam em seus próprios processos de oferta pública inicial e podem se tornar, junto da empresa de Elon Musk, parte de um grupo seleto de companhias avaliadas em mais de um trilhão de dólares cada.
A SpaceX já abriu o caminho
A oferta da SpaceX movimentou cerca de US$ 85,7 bilhões, com a companhia avaliada em torno de US$ 1,8 trilhão no momento da listagem, segundo dados compilados pelo Yahoo Finance. O resultado surpreendeu boa parte do mercado: nas duas semanas seguintes à estreia, as ações da empresa subiram mais de 23%, levando seu valor de mercado a superar US$ 2,4 trilhões e tornando a SpaceX, de forma destacada, a companhia mais valiosa do setor espacial atualmente negociada em bolsa.
Esse desempenho inicial é acompanhado de perto pelos bancos que estruturam as próximas ofertas, já que costuma servir como termômetro de apetite do mercado para negócios de tecnologia avaliados em patamares historicamente altos. Quanto melhor a recepção a uma oferta desse porte, maior tende a ser a confiança de companhias semelhantes para avançar com seus próprios planos de listagem nos meses seguintes.
Anthropic confirma plano de IPO após rodada bilionária
A Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial Claude, submeteu de forma confidencial à Securities and Exchange Commission (SEC), em 1º de junho, um rascunho de registro para uma futura oferta pública de ações. O movimento ocorreu poucos dias depois de a empresa anunciar uma rodada Série H de US$ 65 bilhões, que elevou sua avaliação para US$ 965 bilhões, um salto expressivo em relação a captações anteriores da companhia.
Segundo reportagem do Yahoo Finance, mercados de previsão como o Kalshi apontam o quarto trimestre deste ano como a janela mais provável para a estreia da companhia em bolsa. Diferentemente de outras empresas de inteligência artificial que ainda buscam o ponto de equilíbrio financeiro, a Anthropic tem sido descrita por analistas como uma operação relativamente mais madura do ponto de vista de geração de receita, o que pode pesar a favor de uma recepção positiva do mercado quando o IPO de fato acontecer.
OpenAI segue o mesmo caminho, mas com cronograma incerto
A OpenAI, dona do ChatGPT, apresentou seu próprio rascunho confidencial de S-1 à SEC em 8 de junho, uma semana após a Anthropic. Diferentemente da concorrente, porém, a empresa liderada por Sam Altman ainda não definiu uma data clara para a oferta. Segundo a Axios, a companhia já vinha conversando com investidores desde janeiro, em um processo de preparação semelhante ao que a SpaceX percorreu antes de sua própria listagem, o que sugere que o trabalho de bastidores para o IPO está mais avançado do que a ausência de uma data oficial possa sugerir.
Estimativas de mercado citadas por veículos internacionais colocam a avaliação da OpenAI na casa de US$ 850 bilhões a um trilhão de dólares, faixa que, caso se confirme, pode tornar a oferta da empresa uma das maiores já registradas no setor de tecnologia. A diferença de ritmo entre Anthropic e OpenAI também reflete estratégias distintas de cada companhia em relação ao momento ideal de acessar o mercado de capitais, já que ambas competem diretamente pela atenção dos mesmos investidores institucionais.
O que está em jogo para o investidor brasileiro
Juntas, as três companhias somam um valor de mercado estimado próximo de US$ 3,6 trilhões, um patamar que supera o total arrecadado por todas as empresas que abriram capital em 2021, até então o ano recorde de ofertas públicas nos Estados Unidos. Para o investidor brasileiro, o acesso direto a esse tipo de ativo costuma ocorrer por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), instrumento negociado na B3 que permite investir em recibos lastreados em ações listadas no exterior, sem a necessidade de abrir conta em corretora internacional.
Vale lembrar que avaliações tão elevadas embutem expectativas de crescimento futuro que ainda precisam se confirmar na prática, trimestre após trimestre, à medida que essas empresas se tornem públicas e passem a divulgar resultados sob o escrutínio constante do mercado. Esse acompanhamento trimestral tende a ser especialmente relevante no caso de empresas de inteligência artificial, setor em que os investimentos em infraestrutura, como data centers e capacidade computacional, ainda representam uma parcela significativa dos gastos das companhias.